ANCINE: a verdadeira história por trás da retirada de cartazes e mudança no site

Por terça livre
10 de Diciembre de 2019
Actualizado: 10 de Diciembre de 2019

Narrativa de censura não procede

Em contato com o Terça Livre na tarde desta terça-feira (10/12) uma fonte da Agência Nacional do Cinema (Ancine), desmentiu a narrativa de censura veiculada pela grande mídia sobre a retirada de cartazes e sobre o fim da divulgação de longas no site oficial.

A pedido da diretoria da Agência foram retirados na sexta-feira (29), cartazes que divulgavam produções recentes das áreas comuns como corredores que interligam diversos setores da sede.

No site havia uma seção destinada à divulgação de banners com filmes e festivais, que foi retirada no dia 14 de novembro.

Quase todos os veículos da grande mídia criaram uma narrativa de perseguição ideológica: de acordo com eles o problema seria a vertente ideológica que estaria em desacordo com o governo Bolsonaro.

A informação não procede, os motivos de ambas retiradas foi a regra da isonomia, segundo a qual todos os artistas devem ser tratados com igualdade e os espaços conferidos não poderiam atender a demanda de todos, assim artistas estavam sendo prejudicados ao ficarem de fora, devido à falta de critérios para ações de divulgação da Agência.

Apenas filmes, este ano foram produzidos mais de 180, sem contar com games e programas de TV.

Não há corredor suficiente para comportar todos os lançamentos e muitos artistas ficaram de fora“, diz a fonte.

A solução segundo nosso contato, seria estabelecer critérios para a divulgação: “não existem critérios, jamais foram estabelecidas regras para divulgação“, afirma.

Resposta da Ancine

A resposta da Agência para os veículos de mídia foi a seguinte:

“A Agência Nacional do Cinema (ANCINE) é uma autarquia que integra a Administração Pública Federal, e tem como atribuição institucional o fomento, a regulação e a fiscalização da atividade audiovisual brasileira, incluindo os diversos segmentos de mercado.

No exercício dessas atribuições, e enquanto entidade pública, a ANCINE deve estrita observância aos princípios de regência da atuação administrativa, dentre eles, os da impessoalidade, isonomia e interesse público.

E assim sendo, na compreensão de que os diversos agentes econômicos estão à espera de um tratamento institucional isonômico, e especialmente considerando a natureza da função regulatória, assim como a impossibilidade de contemplar as demandas específicas de cada um dos segmentos de mercado regulado, a ANCINE optou pela interrupção das ações de divulgação constantes de seu sítio eletrônico e canais de comunicação.

Por essa razão é que houve a descontinuidade das ações de divulgação institucional do lançamento comercial de obras audiovisuais e festivais.
Da mesma forma, a ANCINE reafirma o compromisso na divulgação de ações e informações de natureza institucional.

Segue abaixo uma explicação adicional sobre a questão:

A Ancine é uma Agência reguladora que tem como uma das suas atribuições o fomento para cinema, televisão, games e outros mercados. Uma Agência Reguladora precisa tratar todos os entes regulados da mesma forma. Se houver divulgação de cartazes de filmes, será necessário divulgar os cartazes de todos os filmes, sem exceção. E, por analogia, será necessária a divulgação de todos os canais de TV, serviços de streaming, complexos exibidores, distribuidores, desenvolvedores de games etc.

Assim como não existe um critério para a escolha de um filme em detrimento de outro, não existe amparo legal que proteja a Agência de futuras reclamações dos regulados que não tiverem seu material divulgado.”

O que a mídia não falou

Diversas reportagens de muitos sites da grande mídia, deram a entender que se tratou de uma censura, conduzindo o leitor ao erro.

Ao Terça Livre foram enviadas fotografias da Agência da tarde de hoje (10/12), confirmando que os quadros foram retirados exclusivamente de áreas comuns da Agência.

Segundo nossa fonte, manter os cartazes nas áreas comuns, como corredores, tratava-se de um privilégio para uns e um prejuízo para outros. “Seria como entrar na ANAC e encontrar no corredor uma propaganda da Gol ou da TAM“, explica.

Nos demais ambientes de trabalho da Agência, todos os quadros permanecem e podem ser conferidos nas imagens abaixo.

O que a mídia escondeu

A Ancine enviou a todos os veículos uma nota oficial, posicionando-se acerca dos fatos que não foi divulgada integralmente por nenhum dos veículos, causando confusão na interpretação do leitor e induzindo o mesmo a crer numa censura ideológica por parte da Agência.

A Ancine é uma Agência reguladora que tem como uma das suas atribuições o fomento para cinema, televisão, games e outros mercados. Uma Agência Reguladora precisa tratar todos os entes regulados da mesma forma. Se houver divulgação de cartazes de filmes, será necessário divulgar os cartazes de todos os filmes, sem exceção. E, por analogia, será necessária a divulgação de todos os canais de TV, serviços de streaming, complexos exibidores, distribuidores, desenvolvedores de games etc.

Assim como não existe um critério para a escolha de um filme em detrimento de outro, não existe amparo legal que proteja a Agência de futuras reclamações dos regulados que não tiverem seu material divulgado.“, diz a nota.

Cineastas

Alguns cineastas entraram em contato com este veículo para manifestar suas visões acerca do ocorrido, as informações serão acrescentadas em breve nesta matéria.

TE RECOMENDAMOS