Bolsonaro diz que a esquerda fala sobre ‘golpe’ quando perde, Cuba e Maduro falam sobre golpe na Bolívia

Por EFE
10 de Noviembre de 2019 Actualizado: 10 de Noviembre de 2019

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, rejeitou no domingo em declarações ao jornal O Globo que os eventos que levaram à renúncia do governante boliviano Evo Morales são considerados um “golpe” do Estado.

“A palavra golpe é muito usada quando a esquerda perde. Quando eles vencem, é legítimo, mas quando perdem é golpe. Não vou entrar nessa narrativa”, disse Bolsonaro ao jornal.

Bolsonaro disse no domingo que “as alegações de fraude” precipitaram a renúncia do governante boliviano Evo Morales e acrescentou que este fato deixa a “lição” de que os votos “devem ser auditados”.

O líder brasileiro se expressou nesses termos em uma mensagem publicada em seu perfil na rede social Twitter, que acompanhava uma foto do momento em que Morales o parabeniza pela sua posse, em 1º de janeiro em Brasília.

“A lição que resta para nós é a necessidade de que, em nome da democracia e da transparência, seja feita uma contagem de votos” e que “eles possam ser auditados”, disse ele.

Por sua vez, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que recuperou sua liberdade na sexta-feira passada após passar 580 dias na prisão, lamentou no domingo o “golpe de estado” que levou à renúncia do presidente boliviano Evo Morales.

“Ele acabou de saber que houve um golpe na Bolívia” e que o “parceiro” Morales “foi forçado a renunciar”, escreveu Lula em seu perfil de rede social Twitter.

“É lamentável que a América Latina tenha uma elite econômica que não saiba conviver com a democracia e a inclusão social dos mais pobres”, acrescentou o ex-presidente, que governou o Brasil entre 2003 e 2011 e passou parte desse tempo no poder com Morales, que estava no cargo desde janeiro de 2006.

Cuba e Venezuela denunciam golpe

O ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, expressou sua “enérgica” condenação ao “golpe de estado” na Bolívia e expressou sua solidariedade ao governante do país sul-americano, Evo Morales, que anunciou sua renúncia à Presidência no domingo depois de quase 14 anos no poder.

Díaz-Canel disse que “o direito ao golpe de estado violento e covarde mina a democracia na # Bolívia”, em uma mensagem publicada em sua conta oficial no Twitter.

Horas antes do anúncio da renúncia de Evo Morales, o presidente de Cuba já havia denunciado “a estratégia da oposição ao golpe”, sublinhando que havia desencadeado na #Bolívia “a violência, que custou mortes, centenas de feridos e expressões condenadas pelo racismo contra povos nativos”.

Por sua parte, Maduro também apelou ao Twitter para falar sobre um golpe na Bolívia usando termos semelhantes.

“Condenamos categoricamente o golpe de estado consumado contra o irmão Presidente Evo Morales”, disse Maduro.

O ditador venezuelano acrescentou que os “movimentos sociais e políticos do mundo” declaram “na mobilização exigir a preservação da vida dos povos indígenas bolivianos vítimas de racismo”.

A Bolívia está em séria crise desde o dia seguinte às eleições gerais de 20 de outubro.

Pelo menos três pessoas morreram e 421 ficaram feridas desde então em confrontos entre apoiadores e detratores do presidente Morales, segundo dados do Ombudsman da Bolívia.

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