Daniel Ortega avisa que não permitirá protestos na Nicarágua

A crise no país já deixou mais de 300 mortos e milhares de exilados, segundo relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)
Por Voice of America
18 de Diciembre de 2019
Actualizado: 18 de Diciembre de 2019

O líder da Nicarágua, Daniel Ortega, condenou mais uma vez os opositores e cidadãos nicaraguenses que se opõem ao seu regime, alertando que ele não permitirá que aconteçam protestos repetidos no país, semelhantes aos de abril de 2018, quando teve início a crise social.

“Aqui ninguém se rende, ninguém desiste aqui, que fique claro, os Yankees e os mercadores da pátria. Aqui a história de abril não se repetirá, isso deve ficar totalmente claro, e temos os instrumentos legais e jurídicos para defender a estabilidade e a paz de todos os nicaraguenses”, afirmou o líder socialista durante um discurso divulgado nesta segunda-feira (16).

Ortega dirigiu suas palavras principalmente contra os empresários do país, a quem acusou de dar apoio aos protestos contra seu regime e jogou-lhes na cara de que desde 2007, quando ele voltou ao poder, até abril de 2018, as empresas privadas desgrutaram dos benefícios do seu regime, alguns deles supostamente provenientes da ajuda da Alba.

Leia também:
Nacionalização de empresa de filho de Ortega é qualificada como ‘roubo de Estado’

Por outro lado, o analista político Bosco Matamoros descreveu o discurso de Ortega como infeliz e fora da realidade.

“Ele não está dando nenhum sinal de que deseja uma abertura para resolvermos o problema nacional, precisamos de uma estratégia de fundos de longo prazo com a qual se ajuste o que imperativamente necessita o país em seu relacionamento com a comunidade internacional, sem esse entendimento não haverá investimentos na Nicarágua, não haverá entendimento e a crise econômica, política e social do país vai piorar”, disse o ex-diplomata ao Voice of America.

As palavras de Ortega chegaram quando está sendo realizada uma atividade oficial da Polícia Nacional. Até o momento, a crise no país deixou mais de 300 mortos e milhares de exilados, segundo relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

TE RECOMENDAMOS