Educação patriótica da China: escolarização ou doutrinação?

"Nada de positivo se obtém de doutrinar crianças com sentimentos de ódio em uma idade tão jovem"
Por Bitter Winter
03 de Enero de 2020
Actualizado: 03 de Enero de 2020

Após os protestos da Praça Tiananmen que ocorreram há 30 anos, o Partido Comunista Chinês (PCC) lançou uma campanha de educação patriótica em nível nacional para instilar o orgulho nacional e construir uma geração de futuros comunistas leais à liderança do país. Em meio aos protestos a favor da democracia de Hong Kong, o regime comunista chinês está acelerando a campanha para transmitir fervor nacionalista através da doutrinação, começando desde uma idade muito tenra.

Crianças juram lealdade ao Partido

“Não importa onde eu nasci, o sangue da minha pátria sempre flui dentro de mim. Não importa se estou vivo ou morto, isso nunca vai mudar. Por tudo isso, prometo amar minha pátria”, afirmam as crianças repetindo o professor, que prestava juramento à China e sua liderança. O juramento foi organizado durante uma cerimônia de hasteamento da bandeira em um jardim de infância localizado no condado de Yongxiu, sob a jurisdição da cidade de Jiujiang, na província sudoeste de Jiangxi, em 25 de setembro.

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Crianças em um jardim de infância juram lealdade à pátria (Bitter Winter)
Crianças em um jardim de infância juram lealdade à pátria (Bitter Winter)

A escola está organizando atividades desse tipo na esperança de incutir nas crianças o orgulho nacionalista e a lealdade ao país e ao Partido Comunista.

Vídeo: Agitando bandeiras nacionais, crianças de um jardim da cidade de Jiujiang são orientadas a jurar lealdade ao Partido Comunista.

“O regime comunista exige que as escolas submetam nossos filhos à educação e doutrinação ‘vermelhos’ porque eles querem cultivar sucessores dos membros do Partido Comunista”, disse um pai, expressando seu descontentamento com essas atividades.

Não importa o quanto os pais se oponham à doutrinação vermelha, eles não podem fazer nada para tirar seus filhos de um ambiente educacional carregado de ideologia. Em muitos casos, essa doutrinação de mentes tão jovens resulta que as crianças desenvolvem uma visão de mundo radical, tornando-se incapazes de pensar de forma independente.

“Matarei os japoneses com um revólver”, disse um garoto que carregava uma arma de brinquedo de madeira durante uma atividade educacional para pais e filhos, organizada pelo jardim de infância de Jiang Jinshan em 1º de novembro.

O PCC vem cultivando o sentimento de patriotismo e nacionalismo entre as gerações jovens, impressionando-os com “a brutalidade dos invasores estrangeiros” que ocuparam territórios chineses ao longo da história.

“Nada de positivo se obtém de doutrinar crianças com sentimentos de ódio em uma idade tão jovem”, disse um pai, expressando preocupação.

“[O Partido] simplesmente educa crianças pequenas de uma maneira muito enganosa e as encoraja a ficarem contra o Japão, os Estados Unidos e até todo o Ocidente”, comentou um internauta chinês no ano passado. “Ele quer educá-las como um novo poder dos Bóxers e inflamar o ódio contra países estrangeiros”, acrescentou, referindo-se à rebelião dos boxeadores no final do século (1899-1901), organizada por uma sociedade secreta chinesa conhecida como “Os Boxers” ou “Punhos de harmonia e justiça”, que lutaram contra o colonialismo e o cristianismo.

Patriotismo: um curso obrigatório

No final de outubro, durante uma atividade chamada “Produção Civil-Militar”, realizada em um jardim de infância de Jiangxi, crianças vestindo uniformes do Exército Vermelho gritavam slogans patrióticos, tais como “um coração vermelho olha para o sol e segue o Partido”. Os pais das crianças também foram convidados a usar roupas camufladas e agir como soldados, trabalhadores e camponeses que “aram o campo, cultivam os grãos e fertilizam as colheitas”. A atividade foi dedicada à maciça campanha do PCC lançada durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), quando tropas e civis foram incentivados a trabalhar juntos nas regiões altas da China para cultivar grãos.

Vídeo: atividade temática denominada “Produção civil militar” realizada em um jardim de infância da província de Jiangxi.

Atividades semelhantes são organizadas em jardins de infância em toda a China. A mídia oficial do continente afirma que, através desses eventos, as crianças aprendem o quão bravamente os heróis da revolução proletária lutaram “pela boa vida que desfrutam hoje, por transmitir excelentes tradições e dedicar suas vidas à luta interminável de construir uma pátria mais forte, próspera e bonita.”

Mas nem todo mundo concorda com esse tipo de educação. Um pai disse ao Bitter Winter que “a educação patriótica extrema do PCC é a doutrinação forçada mais maligna do mundo”.

Uma professora que trabalha em uma pré-escola disse que, no passado, ela ensinava às crianças canções tradicionais, como “Lave as mãos” e “Vamos jantar”. “Mas este ano é diferente; as músicas vermelhas se tornaram obrigatórias”, reclamou a professora. “Todos os jardins de infância, públicos ou privados, sem exceção, seguem as instruções do Comitê Central do PCC para ensinar às crianças canções comunistas. Os governos, em todos os níveis, exigem que todas as escolas ensinem canções patrióticas para crianças desde tenra idade. Esta é uma política oficial.”

Esta matéria foi originalmente publicada em Bitter Winter, uma publicação sobre liberdade religiosa e direitos humanos na China

O conteúdo desta matéria é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Epoch Times

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