Morre ex-presidente da Odebretch no Rio de Janeiro por ‘causa indeterminada’

Valladares também forneceu cifras sobre quanto a Odebrecht pagou ao chefe de uma tribo indígena através de uma conta de sua esposa, bem como à Central Única Dois Trabalhadores (CUT), para que não protestassem contra suas obras ou por questões ambientais
Por ANASTASIA GUBIN
20 de Septiembre de 2019 9:00 AM Actualizado: 20 de Septiembre de 2019 10:41 AM

O ex-presidente da Odebrecht, Henrique Valladares, um dos importantes relatores da rede de subornos internacionais para altos cargos políticos no intuito de garantir projetos ilegais ao conglomerado mundial de construções sediadas no Brasil, foi encontrado sem vida em sua residência, no Rio de Janeiro .

A morte foi indicada como “causa indeterminada” no registro da 14 Delegação do Leblon e será investigada pela polícia, informou a Veja em 18 de setembro.

O Instituto Médico Legal realizou a autópsia e liberou o corpo para a família. Valladares foi encontrado por seus parentes na noite do dia 17, no apartamento em que o ex-executivo morava no bairro do Leblon, no sul do Rio de Janeiro.

Valladares foi um dos principais entre cerca de cem executivos da Odebrecht que concordaram em colaborar com a Justiça, confessar seus crimes e sinalizar seus cúmplices em troca de reduções em suas sentenças e outros benefícios judiciais.

Henrique Valladares (Wikimedia Commons)
Henrique Valladares (Wikimedia Commons)

Em uma das confissões de Valladares, o ex-presidente revelou a entrega de 5,5 milhões de reais (1,3 milhão de dólares) ao ex-senador Edison Lobão, que era ministro de Minas e Energia no governo Lula da Silva e no Primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, informou a Veja. Até agora, a defesa de Lobão negou as acusações contra ele.

Valladares também forneceu cifras sobre quanto a Odebrecht pagou ao chefe de uma tribo indígena através de uma conta de sua esposa, bem como à Central Única Dois Trabalhadores (CUT), para que não protestassem contra suas obras ou por questões ambientais.

A notícia aparece pela segunda vez nas manchetes internacionais, em apenas uma semana, mencionando a Operação Lava Jato, iniciada em 2014 pela justiça brasileira e que tem investigado o envolvimento de empresas como a Odebretch e OEA em subornos relacionados a mais de 50 países. Nesta segunda-feira, foi revelada a confissão de supostos pagamentos ilegais à Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile.

Os pagamentos ilegais da OEA e da Odebretch são aqueles que levaram à prisão o ex-presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, fundador do Partido dos Trabalhadores.

O ex-vice-presidente da Odebrecht havia sido designado por outros queixosos como um dos negociadores de suborno.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet (esquerda), é recebida pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com empresários na sede da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (FIESP), em São Paulo, Brasil, em 30 de julho de 2009 (MAURICIO LIMA / AFP / Getty Images)
A presidente do Chile, Michelle Bachelet (esquerda), é recebida pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com empresários na sede da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (FIESP), em São Paulo, Brasil, em 30 de julho de 2009 (MAURICIO LIMA / AFP / Getty Images)

Em relação às acusações contra Bachelet, outras dos casos da Lava Jato relacionados à rede, o empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OEA, confessou em um interrogatório um suposto pagamento de 101,6 milhões de pesos chilenos (US $ 140.000) em 2013 para a campanha presidencial de Michelle Bachelet no Chile, através de um contrato fictício com seu arrecadador.

Segundo o depoimento, a OEA recebeu a colaboração de Lula, que conversou com o ex-presidente socialista chileno Ricardo Lagos. Através do pagamento à campanha de Bachelet, que também era do Partido Socialista, ele estaria garantido que a construtora brasileira continuasse trabalhando no país.

O promotor nacional chileno, Jorge Abbott, em declarações ao 24 horas, disse nesta semana que está aguardando o Ministério Público do Brasil enviar a declaração do Sr. Leo Pinheiro para incluí-la em sua investigação no país.

“Quem quer que seja, ninguém está acima da lei”, disse Abott.

Marcelo Odebretch (Wikimedia Commons)
Marcelo Odebretch (Wikimedia Commons)

Em 21 de dezembro de 2016, a Odebrecht SA, um conglomerado mundial de construção com sede no Brasil, juntamente com a Braskem SA, empresa petroquímica brasileira, se declarou culpada de acusações emitidas pelas autoridades dos Estados Unidos, Brasil e Suíça pelos pagamentos de centenas de milhões de dólares em subornos a funcionários do governo em todo o mundo, informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Nessa data, a empresa concordou em pagar uma multa total combinada de pelo menos US$ 3500 milhões. A empresa reconheceu ter pago mais de US$ 788 milhões em propinas para garantir projetos ilegalmente em vários países, incluindo “funcionários e executivos da Petrobras; pagamentos corruptos a outros funcionários do governo no Brasil; e pagamentos corruptos a autoridades estrangeiras em outros onze países – com benefícios mal recebidos pela Odebretch e seus conspiradores de aproximadamente US$ 3336 milhões. ”

Em março de 2016, o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, foi condenado a 19 anos de prisão por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação com crimes.

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