Na China, dissidentes e religiosos são encarcerados em hospitais psiquiátricos

Não apenas hospitais públicos, mas também instituições psiquiátricas privadas estão envolvidas na conspiração para aprisionar pessoas inocentes
Por Bitter Winter
13 de Diciembre de 2019 1:51 PM Actualizado: 13 de Diciembre de 2019 1:51 PM

“Os hospitais psiquiátricos tornaram-se lugares para ganhar dinheiro fácil”, disse recentemente um funcionário da Agência de Segurança Pública da província de Shandong, no leste da China, para a Bitter Winter.

Ele deu um exemplo: se uma pessoa apresenta uma petição ao governo porque sua casa foi demolida para dar lugar à construção de um novo prédio, os contratados subornam as autoridades policiais e pedem que prendam a pessoa em questão. Por aproximadamente 600 mil iuanes (mais de US$ 85 mil), a pessoa fica trancada em um hospital psiquiátrico por um período de dois anos. Geralmente, o hospital recebe uma parte – um terço da soma, em regra – por seus serviços.

O homem em questão revelou que os peticionários e manifestantes são tratados como estorvo pelas instituições de segurança pública, porque leva tempo para atender às suas solicitações. Enviá-los para hospitais psiquiátricos não é apenas uma maneira eficaz de mostrar a seus superiores que eles trabalham efetivamente, mas também é uma maneira fácil de ganhar dinheiro extra.

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Durante anos, dissidentes, denunciantes e outros prisioneiros de consciência, rotulados como “maníacos políticos”, foram encarcerados nos infames hospitais chineses de Ankang, as mesmas instituições mentais de alta segurança sendo administradas diretamente pelo Ministério da Segurança Pública. Mas o policial revelou que não apenas hospitais públicos, mas também instituições psiquiátricas privadas estão envolvidas na conspiração para aprisionar pessoas inocentes.

“É inútil para essas pessoas continuarem com suas petições quando são libertadas, pois ninguém acreditará no que dizem porque passaram algum tempo em um hospital de loucos”, explicou a fonte. “Pessoas que nunca apresentaram problemas mentais deixam os hospitais severamente afetados. Alguns até desenvolvem psicose grave devido ao medicamento que são forçados a tomar diariamente.”

Doente com os braços e pernas amarrados à cama no Hospital Mental Anxian, Condado de Anxian, Província de Sichuan (China), em 24 de agosto de 2008 (China Photos / Getty Images)
Doente com os braços e pernas amarrados à cama no Hospital Mental Anxian, Condado de Anxian, Província de Sichuan (China), em 24 de agosto de 2008 (China Photos / Getty Images)

Segundo o homem, muitos dos que são internados nos hospitais psiquiátricos da China são dissidentes, peticionários e religiosos que nunca tiveram problemas mentais, sendo o fato altamente conhecido. Aqueles que passaram por essa terrível experiência descrevem os hospitais psiquiátricos chineses como um inferno.

Bitter Winter conversou com um cidadão cristão pertencente a uma igreja doméstica que ficou trancado em um hospital psiquiátrico duas vezes porque estava pregando, passando 248 dias naquela instituição. “O hospital nem me examinou nem me diagnosticou. Simplesmente me mandaram tomar remédios. Quando resisti, eles amarraram minhas mãos e pés na cama”, lembrou o religioso.

“Eu disse a essas pessoas que o que elas estavam fazendo era crime, mas elas me ignoraram completamente”, continuou o cristão. “Eles continuaram me forçando a tomar pílulas. Foi uma experiência terrível.”

Os danos físicos e mentais causados por esse “tratamento médico” eram evidentes: o homem se sentia e agia de maneira letárgica, mesmo um ano e meio após sua libertação.

Uma mulher cristã pertencente à Igreja do Deus Todo-Poderoso da província central chinesa de Hunan também permaneceu confinada devido à sua fé.

“Espancamentos eram comuns. Qualquer desobediência acabava em socos, pontapés e repreensões”, lembrou o homem, acrescentando que” quando eles nos obrigavam a tomar medicamentos, os membros da equipe carregavam paus ou bastões elétricos. Se recusávamos, eles nos batiam.”

Certa vez, ela testemunhou como uma garota de 20 anos resistiu a tomar seus remédios e seis membros da equipe começaram a espancá-la violentamente e a chutá-la. “Eles a agarraram com força para forçá-la a tomar os comprimidos. A jovem gritou pedindo ajuda, mas ninguém fez nada para deter a tortura. Foi um inferno”, lembrou ela.

“Me disseram que, como resultado do abuso e da ingestão de drogas, as pessoas morriam todos os anos no hospital. Os corpos eram enviados ao crematório e imediatamente cremados”, continuou. “Ninguém se atreveu a falar nada, muito menos oferecer resistência por medo de ser agredido ou ganhar um longo período de detenção. Todo mundo que estava lá parecia um morto-vivo.”

A mulher era forçada a tomar o remédio duas vezes por dia, e esses eram os momentos mais assustadores para ela. Temendo que os remédios afetassem seu estado mental, ela decidiu fingir que havia tomado as pílulas, escondendo-as nas gengivas superiores e cuspindo-as depois. Seu segredo foi descoberto logo, por isso cinco funcionários do hospital fizeram com que ela engolisse os comprimidos à força.

“Senti os efeitos dos remédios naquela mesma noite”, lembrou a mulher. “Fiquei tonta e atordoada, e não conseguia parar de tremer. Meu cérebro parecia estar fora de controle; eu não sabia dizer se era dia ou noite, nem mesmo quando abria os olhos. Era uma agonia insuportável, e eu só queria morrer.”

Esta matéria foi originalmente publicada pela Bitter Winter, uma revista que trata sobre liberdade religiosa e direitos humanos na China

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