Nova presidente do CNDH no México não pode tomar posse devido a fraude eleitoral, dizem senadores

Vídeo apresentado por uma senadora mostra o momento em que o senador Primo Dothé, do partido oficial Morena, conta os votos e separa um deles, ao lado da urna, sem que esse seja contabilizado na contagem final
12 de Noviembre de 2019 Actualizado: 12 de Noviembre de 2019

Por Anastasia Gubin, Epoch Times

Senadores mexicanos denunciaram irregularidades e fraudes na eleição da nova presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos do México e formalizaram ontem (11) perante o Conselho de Administração uma petição para que ela seja impedida de tomar posse em 12 de novembro.

A solicitação submetida ao Conselho de Administração deve apresentar um relatório ao Controlador do Senado e ao Ministério Público, informou o jornal El Universal.

A senadora do Partido de Ação Nacional (PAN), Xóchitl Gálvez, disse que María del Rosario Piedra Ibarra, membro do Movimento Nacional de Regeneração (Morena), partido apoiado pelo atual presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, não pode assumir o cargo no CNDH.

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Segundo Gálvez, a eleição teria sido fraudada pelos membros do Morena, já que dois votos foram omitidos na contagem a fim de permitir que sua candidata tivesse maioria. A fraude pode ser constatada em um vídeo que a senadora apresentou em uma coletiva de imprensa.

O vídeo apresentado pela senadora mostra o momento em que o senador Primo Dothé, do partido oficial Morena, conta os votos e separa um deles, ao lado da urna, sem que esse seja contabilizado na contagem final.

O segundo voto oculto, a favor de José de Jesús Orozco, estaria nas mãos da pessoa que também fez o escrutínio, Martha Guerrero, que negou as acusações, mas reconheceu que havia um voto a mais do que o anunciado, segundo o El Universal.

A candidata do Morena, Rosario Piedra, obteve 76 preferências de um total de 116 votos, por isso não tinha a maioria necessária. Na suposta votação fraudulenta, foram computados 114 votos que definiram seu titular.

“É impossível e inaceitável validar os votos de qualquer cidadão que esteja violando a constituição”, disse a vice-coordenadora Josefina Vázquez, membro do PAN, segundo matéria do El Universal.

No dia da votação, em 7 de novembro, Vázquez também chamou a atenção para o fato de o chefe do CNDH, um órgão autônomo, ser um membro do partido e, pior ainda, do partido oficial.

“Hoje morreu um pouco da nossa Democracia, um pouco da Justiça e um pouco da Liberdade”, disse ela em sua conta no Twitter.

Por outro lado, a candidata, María del Rosario Piedra, enfatizou em sua rede social que “uma nova fase para os direitos humanos começa hoje. Sou grata às pessoas que confiam em mim, podem ter certeza de que vou trabalhar da mesma maneira que tenho trabalho há mais de 40 anos.”

Os PANistas disseram ontem que se faz necessário um novo procedimento eleitoral, desta vez perante um notário de painel aberto para validar os dois terços exigidos em tal votação, em conformidade com o artigo 2 da Constituição.

Segundo o jornal El Milenio, o líder do Morena no Senado, Ricardo Monreal, publicou um tuíte confirmando que havia 116 votos e não 114, mas a postagem foi excluída posteriormente.

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