Chefe do Laboratório de Mídia do MIT se demite diante de laços financeiros do Instituto com Epstein

Epstein aparentemente serviu como um mediador entre o laboratório e outros doadores ricos, solicitando milhões em doações, inclusive do fundador da Microsoft Bill Gates
Por BOWEN XIAO
09 de Septiembre de 2019
Actualizado: 09 de Septiembre de 2019

O diretor do Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Joi Ito, renunciou em 7 de setembro, um dia depois de um novo relatório detalhar como o laboratório tentou esconder sua relação financeira com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, que estava sendo julgado por acusações de tráfico sexual infantil.

De acordo com dezenas de páginas de e-mails e outros documentos obtidos pelo The New Yorker, o Laboratório de Mídia continuou aceitando doações de Epstein, mesmo sendo listado como “desqualificado” no banco de dados de doadores oficiais do MIT. O laboratório ocultou a quantidade total de doações recebidas de Epstein, marcando suas contribuições como anônimas.

Os documentos também revelaram que Epstein aparentemente serviu como um mediador entre o laboratório e outros doadores ricos, solicitando milhões em doações, inclusive do fundador da Microsoft Bill Gates e do investidor Leon Black, segundo o relatório. Segundo o The New Yorker, as conexões financeiras entre o laboratório e Epstein foram “muito além” do que o laboratório e seu diretor descreveram anteriormente em declarações públicas.

“Depois de refletir bastante sobre o assunto nos últimos dias e semanas, acho melhor renunciar como diretor do laboratório de mídia e como professor e funcionário do Instituto, com efeito imediato”, escreveu Ito em um email interno.

Ito também deixou os conselhos de três outras organizações: a Fundação MacArthur, a Fundação John S. e James L. Knight e o New York Times Co., bem como sua Cátedra de professor visitante na Universidade de Harvard, segundo o The New York Times.

Em um exemplo, em 2014, Ito escreveu em um e-mail interno que o Laboratório de Mídia havia recebido um “presente de US$ 2 milhões de Bill Gates, direcionado por Jeffrey Epstein”. Peter Cohen, diretor de desenvolvimento e estratégia do MIT Media Lab da época, respondeu à Ito’s por e-mail, dizendo: “Para fins de registro de doações, não mencionaremos o nome de Jeffrey como o ímpeto desse presente”.

Um porta-voz de Gates negou ao The New Yorker que Epstein havia direcionado quaisquer subsídios de Gates.

Em uma declaração anterior de agosto, Ito disse que “nunca se envolveu, nunca ouviu falar de [Epstein] e nunca viu nenhuma evidência dos atos horríveis dos quais ele foi acusado”. Na declaração, Ito disse que conheceu Epstein em 2013 em uma conferência “através de um amigo de negócios confiável”.

Em seus esforços de captação de recursos, Ito convidou Epstein para o laboratório e também visitou várias residências do financiador.

Epstein se declarou culpado na Flórida em 2008 por acusações de ter solicitado uma criança para prostituição sob um acordo de leniência que exigia que ele passasse 13 meses na prisão e se registrasse como criminoso sexual. O acordo foi condenado por encerrar uma ampla investigação federal sobre abuso sexual de crianças envolvendo pelo menos 40 adolescentes, que poderiam levar Epstein à prisão perpétua.

Em um e-mail interno de 7 de setembro, o presidente do MIT, L. Rafael Reif, anunciou que estaria conduzindo uma investigação independente sobre as alegações levantadas pelo The New Yorker. Reif chamou as alegações no relatório de “profundamente perturbadoras” no email, endereçado a membros da comunidade do MIT.

“Como as acusações da história são extremamente graves, elas exigem uma investigação imediata, completa e independente”, escreveu ele. “Hoje de manhã, pedi ao Conselho Geral do MIT que contratasse um escritório de advocacia proeminente para projetar e conduzir esse processo. Espero que a empresa conduza essa revisão o mais rápido possível e que informe a mim e ao Comitê Executivo do MIT Corporation, conselho de administração do MIT”.

Reif também observou que Ito apresentou sua renúncia como diretor, professor e funcionário do instituto.

Em um e-mail anterior para membros da comunidade do MIT, Reif disse que a universidade recebeu US$ 800.000 por meio de fundações controladas por Epstein ao longo de 20 anos. Em agosto, dois educadores afiliados ao laboratório deixaram suas posições diante dos laços financeiros do instituto com Epstein.

Epstein estava na prisão de Manhattan quando foi encontrado morto em sua cela em 10 de agosto. Sua morte foi classificada pelo consultório médico da cidade de Nova York como um suicídio por enforcamento. No entanto, durante uma audiência em 27 de agosto, os advogados de Epstein disseram a um juiz que tinham dúvidas sobre se a conclusão do consultório estava correta.

As novas alegações vêm dias depois de relatos de que Nicholas Negroponte, co-fundador e ex-diretor do laboratório fundado por ele 1985,  disse que ainda recomendaria receber o dinheiro. Negroponte disse que havia aconselhado Ito a pegar o dinheiro de Epstein.

“Se você voltar no tempo, eu ainda diria ‘Aceite'”, disse ele, informou a MIT Technology Review.

Repeti, com mais ênfase, “pegue”.

Seus comentários, que ocorreram em uma reunião envolvendo toda a equipe do Laboratório de Mídia, “chocaram muitas pessoas na plateia”, disse a revista.

Alegações “perturbadoras”

Manny Alicandro, advogado em Nova York e formado no MIT,  disse ao Epoch Times em setembro 8 que ele ficou preocupado após de ver o e-mail interno e as novas alegações.

“Fiquei chateado”, disse ele em um telefonema. “Quando conversamos pela última vez, senti que havia algo mais na história que não sabíamos, e aparentemente isso era verdade. Estou muito decepcionado. Mas estou feliz que a universidade esteja realizando uma investigação completa”.

Alicandro disse que os detalhes do novo relatório foram “reveladores” e “perturbadores” para ele.

“Isso mostrou uma distinção em minha mente entre negligência e comportamento intencional”, disse ele. “Para mim, com base no que li, parece que a universidade  continuou intencionalmente seu relacionamento com alguém mesmo sabendo que ele não era uma boa pessoa … eles continuaram seus relacionamentos com ele”.

“Se esse artigo [da New Yorker] não fosse publicado, teria a escola empreendido esses esforços agora e teria Joi renunciado? Infelizmente, acho que a resposta é não. Acho que, devido à pressão do artigo, agora a escola está tomando medidas.”

Alicandro disse acreditar que a investigação independente ordenada pelo presidente do MIT estimulará o laboratório de mídia a atualizar suas políticas e procedimentos.

“As coisas irão acontecer. Políticas e procedimentos não são infalíveis, mas são os melhores esforços que podemos realizar. São grandes esforços e, na maioria das vezes, acho que, com os bancos, eles irão funcionar”, afirmou.

Siga Bowen no Twitter: @ BowenXiao3

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