Dois educadores abandonam MIT diante de suas ligações com Jeffrey Epstein

Por BOWEN XIAO
26 de Agosto de 2019 Actualizado: 26 de Agosto de 2019

Dois educadores afiliados ao Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts anunciaram que encerrarão seus relacionamentos com o instituto por causa de seus laços com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, que estava sendo julgado por acusações de tráfico sexual infantil.

O Laboratório de Mídia enfrenta uma espécie de crise depois que Joichi Ito, diretor do laboratório de pesquisa interdisciplinar, revelou em um comunicado que ele havia se associado anteriormente a Epstein e recebido fundos de investimento do abastado financista. Ele também é membro do conselho do The New York Times Co., entre outras organizações.

Em seu comunicado de 15 de agosto, Ito disse que conheceu Epstein em 2013 em uma conferência, “por meio de um amigo de negócios confiável”. Ele disse que em seus esforços de arrecadação de fundos ele convidou Epstein a comparecer ao laboratório e também visitou várias residências dos investidores. Ito disse que ao longo de todas as suas interações, ele “nunca esteve envolvido, nunca tinha ouvido falar e nunca tinha visto qualquer evidência sobre os atos horríveis dos quais Epstein foi acusado”.

“Lamentavelmente, ao longo dos anos, o laboratório recebeu dinheiro através de algumas das fundações que ele [Epstein] controlava. Eu tinha conhecimento sobre essas doações e esses fundos foram recebidos com a minha permissão”, escreveu Ito. “Também permiti que ele investisse em vários dos meus fundos que investem em empresas iniciantes de tecnologia fora do MIT”.

Seguindo o pedido de desculpas de Ito, o professor associado Ethan Zuckerman e o acadêmico de visita J. Nathan Matias disseram que terminariam sua associação com o laboratório, citando seus laços com Epstein como sendo a causa.

Zuckerman escreveu em sua declaração: “Para mim, o profundo envolvimento de Epstein na vida do Laboratório de Mídia é algo que torna impossível o avanço do meu trabalho”.

Matias escreveu em sua declaração: “Como parte de nosso trabalho, o CivilServant faz pesquisas sobre a proteção de mulheres e outras pessoas vulneráveis ​​contra abuso e assédio on-line”.

“Eu não posso fazer isso com integridade, estando em um lugar que tenha tido o tipo de relacionamento que o Laboratório de Mídia teve com Epstein. É simples assim.”

Seth Lloyd, professor de engenharia mecânica e física no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, também escreveu uma declaração de desculpas sobre o fato de que Epstein deu à sua fundação uma bolsa para apoiar sua pesquisa. Lloyd não disse que ele estava renunciando.

Presidente do MIT menciona conexões

Em um e-mail interno de 22 de agosto, dirigido aos membros da comunidade do MIT e obtido pelo Epoch Times, o presidente da universidade L. Rafael Reif divulgou o quanto de investimento financeiro a universidade recebeu de Epstein ao longo dos anos e delineou as medidas necessárias para lidar com a situação.

“Ao longo de 20 anos, o MIT recebeu aproximadamente US$ 800.000 através de fundações controladas por Jeffrey Epstein. Todas essas doações foram para o Laboratório de Mídia do MIT ou para o professor Seth Lloyd”, escreveu Reif.

Ele acrescentou que a universidade comprometerá um montante “igual aos fundos” que recebeu para uma instituição de caridade apropriada que beneficie as supostas vítimas de Epstein e outras vítimas de abuso sexual.

Manny Alicandro, graduado no MIT, disse ao Epoch Times que a última resposta da escola foi lenta demais, embora seja bem-vinda.

“Estou feliz que a escola esteja dando passos”, disse ele em uma entrevista. “Estou preocupado com o fato de que eles estejam meio atrasados ao fazer isso. Nós conhecemos Epstein há muitos e muitos anos.

“Há uma pergunta agora sobre como Epstein ganhou seu dinheiro: teriam sido ganhos ilícitos? Nós simplesmente não sabemos. Então a escola estava acreditando que era dinheiro legítimo”.

Em um artigo da Reuters de 2015, o MIT negou aceitar qualquer dinheiro de Epstein. O financista, que os promotores federais dizem possuir mais de US$ 500 milhões, afirmou em um comunicado de imprensa de julho de 2014 que forneceu “fundos críticos” para cientistas em Harvard e MIT para restaurar cinco murais de Mark Rothko e, em setembro de 2014, disse que ele deu dinheiro para o Laboratório de Mídia do MIT no intuito de ensinar programação de computadores para crianças.

O comunicado à imprensa de Rothko “simplesmente não estava correto e foi divulgado sem nosso conhecimento ou acordo”, e o comunicado à imprensa sobre as crianças também estava “completamente incorreto”, disse a porta-voz do Laboratório de Mídia do MIT na época, segundo a Reuters.

Quase 2.000 páginas de documentos relacionados a Epstein foram expostas em 9 de agosto. Os documentos, de um processo movido por um dos acusadores de Epstein, Virginia Giuffre, listavam novos nomes supostamente envolvidos na rede de tráfico de Epstein e mais detalhes sobre as acusações de tráfico de meninas menores pelo multimilionário e sua ex-namorada, Ghislaine Maxwell.

O consultório do New York City Medical Examiner concluiu em 16 de agosto que Epstein morreu através de suicídio por enforcamento em sua cela. Os advogados de Epstein dizem que não estão “satisfeitos” com os resultados e prometeram conduzir sua própria investigação sobre sua morte.

Epstein se declarou culpado na Flórida em 2008 por acusações de ter solicitado uma criança para prostituição sob um acordo de não processamento que exigiu que ele passasse 13 meses na cadeia e se registrasse como agressor sexual. O acordo foi condenado por encerrar uma ampla investigação federal sobre abuso sexual infantil envolvendo pelo menos 40 adolescentes, o que poderia ter levado Epstein para a cadeia por toda a vida.

O repórter do Epoch Times, Ivan Pentchoukov, contribuiu para esta reportagem.

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