Professor da Universidade de Miami é preso por lavagem de dinheiro da corrupção venezuelana

Bagley foi preso em Miami e será acusado em Nova Iorque por conspirar para lavar os lucros de um esquema de suborno e corrupção venezuelano nos Estados Unidos entre novembro de 2017 e abril de 2019
19 de Noviembre de 2019 Actualizado: 19 de Noviembre de 2019

Por Sabrina Martín, Epoch Times

Um professor universitário dos Estados Unidos foi preso na segunda-feira (18) acusado de lavar cerca de três milhões de dólares provenientes de subornos e fraudes praticados pelo chavismo na Venezuela.

Bruce Bagley, ex-professor da Universidade de Miami, é especialista em narcotráfico e crime organizado na América Latina. Aparentemente, ele usou seu conhecimento para participar de um esquema milionário de lavagem de dinheiro.

O professor de 73 anos lecionava estudos internacionais na Universidade de Miami e escreveu o livro “Tráfico de drogas e crime organizado nas Américas: principais tendências no século XXI”. Ele também é colaborador de várias revistas sobre o assunto.

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Bagley foi preso em Miami e será acusado em Nova Iorque por conspirar para lavar os lucros de um esquema de suborno e corrupção venezuelano nos Estados Unidos entre novembro de 2017 e abril de 2019. Se condenado, ele pode cumprir uma sentença de até 20 anos de prisão.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, o professor compareceu perante um tribunal federal de Miami na segunda-feira, conforme registrado nos autos do processo, e foi libertado sob fiança de US$ 300 mil paga por seu filho e filha.

A Universidade de Miami, onde Bagley é professor de estudos internacionais, disse que foi colocado em licença administrativa depois que a escola soube de suas acusações.

De acordo com o promotor que cuida do caso Geoffrey Berman, o professor americano abriu uma conta bancária nos Estados Unidos em 2017 e começou a receber centenas de milhares de dólares mensais de contas na Suíça e nos Emirados Árabes Unidos, de propriedade de um cidadão colombiano.

Segundo as investigações, Bagley supostamente guardou 10% do dinheiro que recebeu (cerca de 25 mil dólares) e, posteriormente, emitiu um cheque pelo valor restante para um membro que retirou o dinheiro em espécie. Para justificar essas transações, ele conseguiu contratos falsos com os quais apoiava a fonte do dinheiro.

Bloomberg destaca que a descrição da empresa de Bagley, que não está contida nos documentos do tribunal, coincide com a Bagley Consultants Inc., uma corporação desaparecida da Flórida criada pelo professor em 2005.

“Os criminosos usam um sem fim de métodos para lavar os lucros de seus crimes, mas para ter sucesso, eles precisam de uma maneira de esconder e movimentar seu dinheiro (…) Bagley, um professor americano, contribuiu para a atividade ilegal no exterior, realizada contra o povo venezuelano, facilitando o acesso a fundos obtidos ilegalmente e beneficiando-se de seu papel no crime”, disse o chefe do FBI em Nova Iorque, Bill Sweeney.

Mesmo depois que a conta bancária foi fechada por atividades suspeitas em outubro de 2018, Bagley abriu uma segunda em dezembro, onde recebeu dinheiro em duas ocasiões diferentes, disseram os promotores.

Segundo a Bloomberg, as contas de onde o dinheiro veio eram mantidas por uma “suposta empresa de produtos alimentícios” outra de administração imobiliária.

No documento de acusação, a Procuradoria dos EUA aponta um colombiano como “sócio”. No entanto, embora não seja mencionado com nome e sobrenome, as autoridades dos Estados Unidos estão no rastro do colombiano Alex Saab, mais conhecido como testa de ferro de Nicolás Maduro, por supostamente estar vinculado e servir uma rede ilegal que lavou dinheiro do tesouro público da Venezuela. O jornal colombiano El Espectador relata o caso.

Esta matéria foi originalmente publicada por PanAmPost

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