Supremo da Venezuela pede suspensão da imunidade de 3 deputados da oposição

Por EFE
12 de Agosto de 2019 Actualizado: 12 de Agosto de 2019

O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela (TSJ) decidiu nesta segunda-feira solicitar à Assembleia Nacional Constituinte, composta apenas por chavistas, a suspensão da imunidade parlamentar de três deputados opositores, acusados de traição à pátria, conspiração e outros crimes.

Os deputados opositores afetados pela decisão são José Guerra e Tomás Guanipa, do partido Primeiro Justiça, e Juan Pablo García Canales, do Venha Venezuela. E foi tomada depois de o ditador do país, Nicolás Maduro, ter alertado que aqueles que apoiarem o bloqueio econômico ordenado pelos Estados Unidos seriam “castigados com severidade”.

Na sentença, o TSJ afirma que a solicitação foi feita porque os deputados cometeram em flagrante uma série de crimes, como os de “traição à pátria, conspiração, instigação à insurreição, rebelião civil e usurpação de funções”.

O TSJ argumenta que, como os crimes teriam sido cometidos em flagrante, não é preciso julgar o mérito das acusações para pedir a suspensão da imunidade parlamentar dos deputados, como exige a Constituição da Venezuela.

Um dos motivos que determinou a abertura das investigações é a participação dos deputados na sessão parlamentar na qual foi escolhida a atual direção do parlamento da Venezuela.

O TSJ considera que o órgão segue em situação de “desacato”, por isso todas as decisões tomadas por ele são “carentes de validade e de eficácia jurídica”.

Agora, caberá à Assembleia Nacional Constituinte, órgão legislativo paralelo ao parlamento e formado apenas por chavistas, determinar a suspensão da imunidade dos deputados.

Guerra é economista, professor universitário e faz parte da Comissão de Finanças do parlamento. Guanipa é secretário-geral do Primeiro Justiça, o mesmo do ex-candidato à presidência Henrique Capriles, enquanto García Canales é aliado da ex-deputada María Corina Machado.

A Venezuela atravessa um agravamento da tensão política desde janeiro, quando Guaidó foi proclamado presidente interino do país, sendo reconhecido por mais de 50 governos, entre eles o dos Estados Unidos e o do Brasil.

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