Meio-soprano diz contar com testemunha de assédio sexual de Plácido Domingo

Por EFE
13 de Agosto de 2019 Actualizado: 13 de Agosto de 2019

A meio-soprano Patricia Wulf, uma ex-cantora de ópera que acusou Plácido Domingo de assédio sexual, confirmou suas acusações nesta terça-feira e disse contar com uma testemunha do suposto comportamento inadequado do tenor espanhol.

“O meu relato do que aconteceu é verdadeiro”, disse à Agência Wulf, de 61 anos, que assegura ter cantado “em múltiplas ocasiões” com Plácido Domingo na Ópera Nacional de Washington, instituição da qual o cantor espanhol foi diretor artístico e diretor-geral.

“Tenho uma testemunha que respaldará tudo isto”, acrescentou a artista aposentada, que não quis dar mais detalhes do caso porque, disse, “é muito difícil falar sobre isso”.

Em entrevista à agência Associated Press (AP), Wulf afirmou que “cada vez que saía do palco”, Domingo a esperava, se aproximava e sussurava: “Patricia, tem que ir para sua casa esta noite?”.

Pelo menos outras oito mulheres – sete cantoras e uma dançarina – formularam acusações similares contra Domingo, mas Wulf foi a única que permitiu ser identificada.

Domingo, de 78 anos, disse em comunicado à AP que sempre acreditou que todas suas “interações e relações” com mulheres foram “pactuadas” e que as “alegações” de “indivíduos anônimos aconteceram pelo menos de 30 anos atrás” e são “profundamente preocupantes” e “inexatas”.

“Reconheço que as normas e padrões da atualidade são muito diferentes do que eram no passado”, acrescentou o artista.

Wulf, que agora é uma agente de bens imobiliários, vive na área de Winchester com seu marido.

“Dou o passo adiante agora porque espero que possa ajudar outras mulheres a falerem publicamente ou a serem suficientemente fortes para dizer ‘não'”, declarou Wulf, que afirmou que após vários incidentes de assédio, em 1991 consentiu ter relações sexuais com Domingo.

Festival de Salzburgo apoia Plácido Domingo

A presidente do Festival de Salzburgo, Helga Rabl-Stadler, apoiou nesta terça-feira Plácido Domingo.

“Conheço Plácido Domingo há mais de 25 anos. Desde o princípio me impressionou, junto com sua capacidade artística, os seus modos respeitosos com todos os trabalhadores do Festival”, afirmou Rabl-Stadler em comunicado enviado à Agência Efe.

A presidente disse que Plácido Domingo “conhece todos os nomes, e agradece a cada pequena ajuda”.

A presidente justificou a decisão de manter as apresentações porque para ela sempre rege o princípio de “In dubio pro reo”, o princípio que diante da falta de provas se deve favorecer o acusado.

“Considero objetivamente incorreto e humanamente irresponsável fazer um julgamento definitivo neste momento e adotar decisões sobre essa base”, indicou a responsável do Festival sobre a atuação de Domingo.

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